Jornada atualiza médicos e estudantes de medicina sobre dislipidemia e aterosclerose Evento reuniu professores de renomadas universidades, hospitais e associações médicas

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As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, representando mais de 30% dos óbitos registrados no país. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) estima que, ao final deste ano, quase 400 mil cidadãos brasileiros terão falecido em decorrência das doenças do coração e da circulação.  Tendo em vista que esta situação pode ser revertida com prevenção e tratamentos adequados, a Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Santa Casa de São Paulo realizou, juntamente com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP), a VI Jornada de Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose.

No dia 17 de agosto, estudantes da graduação da FCM/Santa Casa e médicos assistentes do hospital tiveram a oportunidade de aprender e atualizar-se com médicos de renomadas universidades e hospitais paulistas, que apresentaram o que há de mais novo sobre o tema, com base em estudos científicos e ensaios clínicos.

Doenças e prevenção

A Jornada abordou diferentes aspectos da dislipidemia, distúrbio caracterizado por níveis elevados no sangue de lipídios (moléculas de gordura) e lipoproteínas (cápsulas de proteína responsáveis pela solubilização e transporte dos lipídios).

Colesterol e triglicérides estão entre as gorduras que, em níveis elevados no sangue, tornam-se fatores de risco para doenças cardiovasculares, entre elas o infarto e a aterosclerose (obstrução das artérias por depósitos de gordura, cálcio e outros elementos, reduzindo seu calibre e levando a um déficit sanguíneo nos tecidos irrigados por elas). Dislipidemias também podem causar acidente vascular cerebral (AVC), complicações renais, angina, trombose e pancreatite aguda.

Para evitar o aumento do colesterol, é importante praticar exercícios físicos regularmente, manter uma dieta saudável  e evitar o fumo e o estresse.  Estas recomendações foram feitas por vários palestrantes ao longo do evento.

Programação diversificada

As aulas foram ministradas por profissionais da FCM/Santa Casa, da Faculdade de Medicina (FM) da USP, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da FMUSP e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC).  Dois debates permitiram a resolução de dúvidas da plateia e a troca de experiências entre os palestrantes.

“Reunimos os melhores professores de lípides e aterosclerose do Brasil, que falaram sobre genética, diagnóstico, tratamentos atuais, complicações, novos medicamentos, fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce”, conta Renato Jorge Alves, professor da FCM/Santa Casa e coordenador da Jornada, juntamente com os professores Ronaldo Fernandes Rosa e Roberto Alexandre Franken, ambos da FCM/Santa Casa.

Diabéticos no consultório do cardiologista

“Os cardiologistas devem estudar a Diabetes”, salientou José Francisco Kerr Saraiva, chefe da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da PUC Campinas . Em sua palestra, o professor explicou que 70% dos pacientes com doenças cardíacas têm diabetes, síndrome metabólica ou transtorno do metabolismo de glicose. Entre os diabéticos que sofrem infarto do miocárdio, apenas 50% têm prognóstico de sobrevida.

Saraiva, que também é presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), detalhou a relação entre os medicamentos hipoglicemiantes e os riscos cardiovasculares. O professor também explicou a ação, segurança e eficácia de novos fármacos para o controle glicêmico de pacientes diabéticos cardiopatas. “Identificamos medicamentos seguros e com proteção contra eventos cardiovasculares, possibilitando a redução da mortalidade cardiovascular, o que é uma mudança de paradigma”, afirmou.

Hipercolesterolemia familiar

Um tema recorrente nas palestras foi a Hipercolesterolemia familiar (HF), doença hereditária que resulta em níveis sanguíneos muito elevados de LDL Colesterol, mesmo se o indivíduo mantiver um estilo de vida saudável. A HF pode causar doenças cardiovasculares agressivas e prematuras.

Maria Cristina Izar, professora da Disciplina de Cardiologia da Unifesp e presidente do Departamento de Aterosclerose da SBC, destacou dados da pesquisa Elsa – Brasil (Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto) que indicam prevalência estimada de HF de 1 para cada 263 indivíduos no país.  “Para o diagnóstico e tratamento, o médico deve pesquisar não somente a história clínica pessoal do paciente com suspeita de ter HF, mas também de toda sua família, em busca de outras pessoas com a doença”, ressaltou.

Este rastreamento familiar foi consenso entre os presentes. “Identificamos 30 pacientes que podem ter HF no Ambulatório de Lípides da Santa Casa de São Paulo”, disse o professor Renato Jorge Alves. “Solicitamos a eles que tragam seus familiares, para que possamos realizar exames, verificar comorbidades e iniciar um tratamento mais intensivo”, comentou o professor, que também é coordenador deste ambulatório . Viviane Zorzanelli Rocha, da Unidade de Lípides do InCor/HCFMUSP, acrescentou que  o teste genético pode ser muito útil para confirmação diagnóstica e rastreamento da HF.

O evento também contou com as palestras de Éder Quintão, professor emérito do Departamento de Clínica Médica da FMUSP; Henrique Tria Bianco, professor da Unifesp; Marcelo Chiara Bertolami, diretor da Divisão Científica do IDPC; André Arpad  Faludi, chefe da Seção Médica de Dislipidemias do IDPC;  Adriana Bertolami, médica assistente da Seção de Dislipidemias e do Laboratório do Sono do IDPC e do professor Renato Jorge Alves, da FCM/Santa Casa.

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