Catapora é mais comum no fim do inverno: veja sinais e como prevenir doença Professor da FCM/Santa Casa é entrevistado

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Toda vez que você for vacinar seu filho, lembre-se: a imunização é um benefício da ciência que a humanidade levou séculos para poder usufruir. No caso da catapora, também conhecida como varicela, os médicos demoraram anos para diferenciá-la da varíola: foi só em 1767 que um cientista inglês, William Heberder, conseguiu provar que se tratavam de doenças distintas.

Em 1875, graças ao alemão Rudolf Steiner, o pai da medicina antroposófica, descobriu-se que a catapora tinha como causa um agente infeccioso. Apesar disso, a medicina teria de esperar mais de 100 anos até que a primeira vacina contra a doença fosse desenvolvida.

Quando ela chegou ao Brasil, na década de 1980, cerca de 90% das crianças tinham a doença, geralmente em idade escolar e antes dos 15 anos de idade. Cerca de 300 a 400 delas morriam todos os anos em decorrência de suas complicações. Hoje, os casos reduziram 70%.

Mais comum no final do inverno e no começo da primavera, a enfermidade tem como característica os exantemas (erupções na pele). Eles causam coceira, transformam-se em pequenas bolhas (vesículas) e, depois, em crostas. A literatura médica descreve que, a depender da gravidade da catapora, é possível que aconteçam até 500 manifestações dessas por todo o corpo. E o pior, algumas delas ainda podem deixar marcas.

O que causa a catapora
A varicela ou catapora é uma infecção provocada pelo vírus Varicela-zóster, da mesma família do Herpes-vírus. Trata-se de uma doença, em geral, benigna da infância, mas é altamente contagiosa, já que pode ser transmitida por meio do contato de pele a pele e também pela respiração. Grande parte dos adultos com mais de 40 anos já teve essa enfermidade.

Quais os sinais da doença
As lesões de pele características da catapora são classificadas como polimórficas, porque se manifestam em vários estágios: inicialmente são pequenas vesículas (como uma gota de orvalho), depois elas se rompem, formam pústulas (feridas) e, posteriormente, crostas (casquinhas).

Em uma mesma pessoa podem ser encontradas diferentes erupções em alguma dessas três fases. Contudo, antes que isso aconteça, é possível observar os sintomas: Mal estar; Cansaço;
Febre (por dois ou três dias).

Na sequência, as erupções tornam-se visíveis. Inicialmente acometem a face, migram para o couro cabeludo, tronco e extremidades. Além disso, as mucosas da boca, olhos, nariz, genitália e ânus também podem ser afetadas.

Algumas pessoas terão sintomas leves; outras, apresentarão lesões por todo o corpo. Em três ou cinco dias elas evoluirão para as crostas.

Tempo do contágio
Alguém com varicela já pode passar a doença (ou seja, a pessoa é “contagiante”) de um a dois dias antes do aparecimento dos primeiros sinais e até que todas as lesões se transformem em crostas secas, o que acontece no período de seis a oito dias.

A doença praticamente acaba quando todas as lesões têm crostas.

Quando procurar um médico
Na maioria das crianças, a catapora é uma doença benigna e autolimitada. Isso significa que ela se resolve sozinha. Contudo, em alguns casos, complicações como pneumonia, otite, sinusite, artrite transitória, além de situações mais raras como encefalite e meningite podem ocorrer.

“Um exemplo comum são as infecções secundárias na pele causadas por bactérias, o que pode até levar à internação nos quadros mais graves”, conta Nelson Douglas Ejzenbaum, pediatra e neonatologista do Hospital Samaritano (SP). Nesta hipótese, os sinais de alerta são: Febre persistente; Dor local; Inchaço;
Pele com aparência avermelhada criança; Dificuldade para comer.

Ao observar tais sinais, você deve procurar ajuda médica imediatamente.

Quem precisa ficar atento
A varicela pode acometer qualquer pessoa na infância ou na idade adulta. Uma peculiaridade das doenças tipicamente infantis é que, caso ocorram em adolescentes ou adultos (e mesmo em pessoas que tenham sua imunidade reduzida), elas costumam ser mais graves.

Como são feitos o diagnóstico e o tratamento
Por ter sinais muito evidentes, a doença é considerada como de fácil reconhecimento. Em geral, basta que o médico ouça a história do paciente e faça o exame físico para definir o diagnóstico.

O tratamento visa amenizar os sintomas. E são indicados para esse fim cuidados como higiene da pele, boa hidratação, uso de antitérmico etc.

“As únicas exceções são as complicações neurológicas (encefalite e meningite), ou pacientes que estejam em estado de imunossupressão devido ao tratamento de câncer, por exemplo. Nesses casos, haverá uma intervenção específica”, explica Marco Aurelio Palazzi Sáfadi, presidente do Departamento de Infectologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Leia reportagem completa.

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