Propostas atuais para o tratamento das psicoses

32 Horas / Aula

DOCENTE:
Maurício Carvalho Porto:
psicólogo e psicanalista, acompanhante terapêutico, participante da coordenação dos Módulos de Introdução ao Acompanhamento Terapêutico e do Estágio Assistido em Acompanhamento Terapêutico, autor de artigos em revistas especializadas.

OBJETIVOS:

Situar a constituição, desde meados dos anos 1930, de uma tradição comum aos tratamentos que podemos chamar de “atuais” no campo das psicoses. Cotejado por algumas modalidades de tratamento que tem sido propostas nos últimos 10 a 15 anos, dentro do campo da saúde mental na cidade de São Paulo, no atendimento a adultos, crianças e adolescentes, ressaltar elementos significativos da clínica que permeia estas “propostas atuais”.

JUSTIFICATIVA:

Propostas de tratamento das psicoses que vem sendo realizadas há pelo menos uma década no campo da saúde mental são o desdobramento de experimentações que se acumulam desde o início do século XX. A reunião destas experimentações resulta em uma concepção de tratamento das psicoses e uma prática clínica que se orienta por problematizar a produção dos modos de relação entre os indivíduos na realidade do mundo, já desde a própria realidade da instituição de tratamento, seja em sua face de exclusão e de reclusão, quanto em sua face de adaptação ativa e de composição das possibilidades de existir e agir. Investigar estes modos de relação e de produção aprimora o pensamento a respeito das estratégias para lidar com a problemática psicótica, tanto nos adultos, quanto nos adolescentes e nas crianças.

CONTEÚDO:

As referências teórico-práticas da disciplina serão: a Psicanálise, o Movimento Institucionalista e a Reforma Psiquiátrica. As aulas consistirão em apresentações teóricas, discussão de textos e relatos de experiências institucionais feita por profissionais convidados, sempre pretendendo criar disparadores para discussões do grupo de alunos.

O programa da disciplina se divide em dois momentos:

Primeiro momento:
As formas para a Reforma psiquiátrica. Partindo de experimentações feitas desde meados dos anos 1930 no interior dos hospitais psiquiátricos e das descobertas psicofarmacológicas a partir dos anos 1950, na Europa e nos Estados Unidos da América, foi se estabelecendo um outro paradigma, em relação à psiquiatria clássica, para tratar os estados psicóticos – primeiro nos adultos, e depois nas crianças e nos adolescentes.
A constituição desse outro paradigma produziu efeitos na América Latina a partir dos anos 1960. Desse movimento surgiram, no Brasil, desde o final dos anos 1970, as novas estratégias de tratamento propostas pelos profissionais da saúde mental.

Segundo momento:
Elementos de uma clínica atual para tratar as psicoses. Tendo por referência algumas experiências que tem sido realizadas na cidade de São Paulo no contato com o universo das psicoses, podemos explorar alguns elementos significativos da clínica das psicoses; elementos significativos na medida em que se tornaram férteis mobilizadores dos processos analíticos nos tratamentos das psicoses, e que levaram, inclusive, à problematização daquilo que pode ultrapassar estes próprios tratamentos.
Além dos relatos de experiências, busca-se aprofundar os conceitos de tratamento, transferência e regressão no tratamento.

Bibliografia Básica

Basaglia, Franco, “A instituição negada – Relato de um hospital psiquiátrico”, Rio de Janeiro: Editora Graal, 1995.
Bezerra Jr., Benilton e Amarante, Paulo (org.), “Psiquiatria sem hospício – Contribuições ao estudo da reforma psiquiátrica”, Rio de Janeiro: RelumeDumará, 1992.
Castel, Robert, “La gestion de losriesgos – De laanti-psiquiatria al post-análisis”, Barcelona: Editorial Anagrama, 1984.

Bibliografia complementar

Cytrynowicz, Mônica, “Criança/Enfance – Uma trajetória de psiquiatria infantil”, São Paulo: Editora Narrativa Um, 2002.
Freud, Sigmund, “Recordar, repetir y reelaborar”, in Obras completas, vol. XII, Buenos Aires, Ed. Amorrortu, 1986, pg. 145-157.
Julien, Philippe, “As psicoses – Um estudo sobre a paranóia comum”, Rio de Janeiro: Editora Companhia de Freud, 1999.
Lancetti, Antonio (org.), “SaúdeLoucura”, vol. 4, São Paulo: Editora Hucitec, 1994.
Langer, Marie (org.), “Questionamos – A Psicanálise e suas instituições”, Petrópolis: Editora Vozes, 1973.
Melo, Walter, “Nise da Silveira”, Rio de Janeiro: Imago Editora, 2001.

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