Redes de atenção e redes de produção de saúde – nas perspectivas da Inteligência Coletiva e da Política Nacional de Humanização

40 Horas / Aula

DOCENTE:
Ricardo Rodrigues Teixeira: Professor do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP.

OBJETIVOS:

O objetivo da disciplina é realizar uma introdução geral ao tema das redes na saúde, fazendo uma distinção conceitual entre o problema das redes de atenção e o problema das redes de produção de saúde e assumindo a primazia deste último. Sendo assim, a disciplina focará no problema das redes de produção de saúde, adotando um caminho teórico-metodológico que objetiva produzir novas percepções e sensibilidades, bem como uma construção conceitual que abra para novos sentidos não apenas da noção de “rede”, mas também do que entendemos por “saúde” e “produção de saúde”.

JUSTIFICATIVA:

O tema das redes, em sentido amplo, responde a uma série de problemas que se colocam como que em camadas, indo das chamadas “redes frias”, aquelas do gerenciamento formal e funcional de uma dada estrutura e/ou sistema de relações, atividades, serviços, insumos e recursos (físicos, humanos, econômico-financeiro etc.), até as camadas relacionais e conversacionais implicadas na constituição de “redes quentes”, nas quais os conhecimentos e afetos transitam, aumentando ou diminuindo a potência de ação coletiva frente a determinados objetivos e condições concretas. Os desafios postos pela necessidade de se ativar e aquecer uma rede de produção de saúde tornam fundamental ampliar a compreensão e a capacidade de atuação nessas últimas camadas relacionais e conversacionais. Aqui, posições, sentidos, valores, atitudes, formas de vida e de cognição inspiram e dão norte à produção e à produtividade da rede, em função de compromissos pactuados e da capacidade para gerar sinergia entre os atores e coletivos implicados. E é esse o modo de se colocar e enfrentar o problema da constituição/ativação das redes na perspectiva da Inteligência Coletiva: trata-se, fundamentalmente, do problema da ampliação da potência de ação coletiva, da potência de ação dos coletivos, da constituição de coletivos inteligentes.

CONTEÚDO:

O curso será desenvolvido em duas vertentes: – Trabalho conceitual que permita a percepção e o enfrentamento de novos problemas no campo. Nesse sentido, serão trabalhados, destacadamente, os conceitos de redes de atenção à saúde, redes de produção de saúde, trabalho em saúde, trabalho cognitivo-afetivo, comunicação, produção de comum, produção de saúde, produção de potência, potência de ação coletiva, produção de redes, redes sociais, comunidades virtuais, inteligência coletiva. – Trabalho analítico que permita exercitar os conceitos acima diante de algumas experiências concretas no campo. Serão propostos dois “casos” para análise: o do “acolhimento” pensado no cotidiano de trabalho dos serviços de saúde entendidos como grandes redes de conversação; e o das “redes de produção de saúde” segundo a perspectiva da Política Nacional de Humanização, com destaque para o exame do dispositivo Rede HumanizaSUS.

1 – Introdução geral ao tema das redes na saúde: das Redes de Atenção à Saúde às Redes de Produção de Saúde.

2 – Comunicação em Saúde e Inteligência Coletiva: o problema da produção do comum.
– Aproximação do tema da Comunicação na Saúde.
– Comunicação e o problema da produção do comum.
– A ampliação da Inteligência Coletiva e a Saúde.

3 – O trabalho em saúde como trabalho cognitivo-afetivo:
– O conceito de produção de saúde.
– O que produz esse trabalho.
– Como produz esse trabalho.

4 – As Redes de Produção da Saúde 1: O acolhimento num serviço de saúde entendido como uma rede de conversação e de trabalho cognitivo-afetivo.
– O substrato conversacional do trabalho em saúde.
– As técnicas de conversação do trabalho em saúde.
– O acolhimento como uma “técnica de conversação”.

5 – As Redes de Produção da Saúde 2:‏ A Política Nacional de Humanização e a Rede HumanizaSUS.
– Curadoria de narrativas de experiências do trabalho compartilhadas em redes sociais.
– Política pública em rede.
– A produção de comum nas redes sociais‏.
– Estratégias de ativação de redes

Bibliografia Básica

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. HumanizaSUS: Documento base para gestores e trabalhadores do SUS / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 4. ed., 2008.
BRASIL. Ministério da saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS. Redes de produção de saúde / Ministério da saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Acolhimento nas práticas de produção de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2. ed. 5. reimp., 2010.

Bibliografia complementar

Costa, R. Por um novo conceito de comunidade: redes sociais, comunidades pessoais, inteligência coletiva. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, vol.9, n.17, pp. 235-248. Botucatu: 2005.
Costa, R. Inteligência coletiva: comunicação, capitalismo cognitivo e micropolítica. Revista FAMECOS nº 37. Porto Alegre: 2008.
Costa, R. Os afetos de rede: individualismo conectado ou interconexão do coletivo? Iara – Revista de Moda, Cultura e Arte, v.4, n°1 São Paulo: abril 2011.
Cyrino, A.P.P. e Teixeira, R.R. Saúde Pública, mudança de comportamento e criação: da Educação Sanitária à emergência da Inteligência Coletiva. In: Bertucci, L.M.; Mota, A.; Schraiber, L.B. Saúde e Educação, um encontro plural. 2015 (no prelo).
Hardt, M.; Negri, A. Multidão: guerra e democracia na era do império. Rio de Janeiro: Ed. Record, 2005.

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