FCM/Santa Casa promove Fórum pelo Dia Internacional de Atenção à Gagueira Curso de Fonoaudiologia organizou exibição de filme e debate com especialistas e pessoas com o distúrbio da fala

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Fotos disponíveis para download no Flickr da  FCM/Santa Casa de SP

Você é um bom ouvinte? A pergunta, estampada em um selo autoadesivo entregue para alunos e professores da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Santa Casa de SP, é um desafio à reflexão sobre como lidamos com pessoas com gagueira.  A distribuição aconteceu no contexto do Fórum pelo Dia Internacional de Atenção à Gagueira, celebrado em 22 de outubro/2019. O evento, organizado no mesmo dia pela Profa. Dra. Sandra Cristina Fonseca Pires, docente do Curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCM/Santa Casa de SP, instigou os alunos a ponderarem sobre as questões que envolvem a gagueira, vislumbrando um universo que vai além da intervenção fonoaudiológica.

Para subsidiar o debate, a primeira atividade do Fórum foi a exibição do premiado documentário “Quando eu Gaguejo “ (When I Stutter), produzido pelo norte-americano John Gomez, cineasta e mestre em Distúrbios da Comunicação . O filme traz depoimentos de pessoas com gagueira em diferentes estágios da vida e do tratamento da desordem da fala. Elas falam de suas experiências e esforços em comunicar-se para estudar, trabalhar, namorar ou mesmo conversar com um atendente ao telefone. Narrado por um ator que tem gagueira e também dá seu depoimento, o longa-metragem foi reconhecido internacionalmente por aumentar a consciência da população em geral sobre as dificuldades vividas por estas pessoas.

“A parte técnica da terapia fonoaudiológica é fundamental, mas é preciso considerar também a história de cada pessoa, suas vivências, para ajudar a dar voz a todas elas”, salientou a fonoaudióloga Daniela Veronica Zackiewicz, que participou do Fórum após o término do documentário. “Ao ser questionada sobre a gagueira, minha filha, então com 8, anos respondeu: ‘Eu não sou gaga, eu só gaguejo’. Para ela, a gagueira é uma característica e não algo que a define por completo”, exemplificou.

Mãe de duas crianças com gagueira, Daniela idealizou o projeto Oficina de Fluência juntamente com a fonoaudióloga Luciana Andrea Contesini.  “Trata-se de uma forma diferente de abordar a gagueira, possibilitando que crianças, adolescentes e familiares compartilhem seus sentimentos e pratiquem estratégias para aprimorar a comunicação e a fluência”, explica Daniela. Das oficinas, resultam produções coletivas que podem ser usadas para falar sobre o assunto com familiares, professores e amigos.

“Nós olhamos para a pessoa como um todo, e não somente a patologia”, enfatizou a fonoaudióloga Renata Donadeli, que apresentou as ações da Associação Brasileira de Gagueira, organização não governamental fundada em 2004 com o objetivo de defender, elevar e manter a qualidade de vida de pessoas que gaguejam.  “Lutamos para que as pessoas sejam respeitadas em sua forma de falar”, completou.

O Fórum foi enriquecido com depoimentos presenciais de pessoas que gaguejam e da mãe de uma criança pequena com o distúrbio. “Meu filho passou a isolar-se. É muito doloroso vê-lo sendo excluído”, desabafou.

Ao final do encontro, a professora Sandra Pires disponibilizou o atendimento da Clínica de Fonoaudiologia da Santa Casa de São Paulo. “No quarto ano do curso, nossos alunos realizam atendimentos de clínica adulto e infantil, quando têm oportunidade de atender pessoas que gaguejam, sob supervisão”, informou.

Como ser um bom ouvinte

Dicas da Oficina de Fluência:

  • Não interrompa e nem complete a frase de quem está falando
  • Preste mais atenção ao conteúdo que está sendo compartilhado do que às rupturas que ocorrem na fala
  • Procure manter a calma e estabeleça um contato visual natural
  • Não peça para a pessoa ficar calma, falar devagar ou respirar. A gagueira é involuntária e não é causada por fatores emocionais
  • Se você agir com naturalidade e respeito, você ajuda as pessoas que gaguejam a se sentirem mais confiantes

 

Saiba mais:

Site do documentário “Quando eu Gaguejo”

Associação Brasileira de Gagueira

Oficina de Fluência

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Vanessa Krunfli Haddad

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