Mobilidade e competitividade Médico formado na FCM/Santa Casa é destaque na Revista Pesquisa Fapesp

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Diferentemente do modelo vigente no Brasil, onde boa parte dos cientistas passa toda a vida acadêmica na mesma instituição, a carreira dos pesquisadores nos Estados Unidos e na Europa é mais dinâmica. A trajetória nos Estados Unidos do médico brasileiro Antonio Bianco (foto), formado na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo em 1983, com mestrado, doutorado e livre-docência no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, é reveladora desse movimento. Sua primeira experiência internacional se deu no doutorado, quando passou um período sanduíche na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. “Voltei para o Brasil em 1986, concluí o doutorado e fui contratado como professor no ICB-USP”, relembra. “Mas ainda pensava em voltar.”

Anos mais tarde, Bianco conseguiu concretizar seus planos de sair do país. “Voltei para Boston em 1998, tornei-me professor visitante na Escola de Medicina de Harvard e depois professor-associado”, conta. Ele ficou 10 anos em Harvard. Em 2008, surgiu o convite para ser chefe da divisão de endocrinologia da Universidade de Miami. A experiência o aperfeiçoou em aspectos administrativos da medicina acadêmica. “Fiquei seis anos em Miami, até que surgiu o convite para ser vice-diretor-executivo do Departamento de Medicina da Universidade Rush, em Chicago.” Bianco assumiu a presidência do grupo médico da universidade em 2015. “A experiência foi boa, mas tomava muito do tempo de pesquisa. Optei por voltar à docência e às atividades em laboratório.” Em 2018 ele se tornou professor na Universidade de Chicago. Bianco diz que a mobilidade ajudou sua carreira porque lhe permitiu experimentar desafios diferentes em cada instituição pela qual passou.

A mudança de país, no entanto, pode ser complicada, mesmo para os cientistas mais experientes. “Se soubesse das dificuldades que enfrentaria para me estabelecer como pesquisador nos Estados Unidos, talvez tivesse hesitado em vir”, diz Bianco, que desde 1998 vive naquele país. Ele explica que a alta competitividade por cargos de docente nas universidades e financiamento para pesquisas são algumas das dificuldades impostas pelo sistema norte-americano. “Nem mesmo os pesquisadores estabelecidos têm vida fácil”, afirma. Diante disso, muitos estrangeiros não se adaptam e voltam para o país de origem. Outros passam os anos em sucessivos estágios de pós-doutorado em laboratórios de pesquisadores estabelecidos. “Além disso, os cientistas estrangeiros nos Estados Unidos só podem pleitear recursos dos Institutos Nacionais de Saúde [NIH] se tiverem obtido o visto de residência permanente, processo que pode durar anos”, conta. Mesmo os que o conseguem não têm garantia de financiamento.

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