Estudantes da FCM/Santa Casa participam de simulação de atendimento a mulheres em situação de violência doméstica Atividade foi promovida pela Liga de Enfermagem em Gênero, Sexualidade e Direitos Humanos

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Fotos disponíveis para download no Fickr da FCM/Santa Casa de SP

Sentada na cadeira de um pequeno consultório, Angélica aperta as mãos em sinal de desconforto. A mulher de trinta e poucos anos conta para a enfermeira à sua frente que possui um sangramento vaginal contínuo, motivo de sua ida à Unidade Básica de Saúde. A enfermeira, por sua vez, desconfia que Angélica seja vítima de violência doméstica, devido ao seu comportamento e histórico de queixas em relação à própria saúde. Mas a profissional precisa estabelecer um vínculo de confiança com a paciente para confirmar a suspeita e obter as informações necessárias a fim de ajudá-la da melhor maneira possível.

Situações semelhantes a esta são frequentes no sistema de saúde brasileiro. No entanto, este caso específico faz parte de uma simulação de diálogo entre paciente e enfermeira. Angélica é uma personagem, interpretada pela aluna Isabelly Gonsalves de Freitas, do 5º semestre do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Santa Casa de São Paulo, que seguiu um roteiro baseado em fatos reais relatados por mulheres que sofreram violência doméstica. Ela foi entrevistada por outras alunas, que se alternaram no papel da enfermeira, tentando conduzir a conversa de maneira sensível e eficaz.

A encenação aconteceu nesta quarta-feira, 21, durante aula da Liga de Enfermagem em Gênero, Sexualidade e Direitos Humanos, orientada pela Profa. Dra. Maria Fernanda Terra, docente de Saúde Coletiva da FCM/Santa Casa de SP. Após participarem da dinâmica, as alunas compartilharam os sentimentos e as dificuldades vivenciadas.  “É mais simples perguntar à paciente sobre doenças. Já em atendimentos às vítimas de violência, é preciso percepção, firmeza, não ter medo de falar sobre o assunto”, comentou Vanessa Luz, estudante da graduação em Enfermagem e presidente da Liga.

Em seguida, houve um debate coordenado pela enfermeira sanitarista Stephanie Pereira, doutoranda do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina (FM) da Universidade de São Paulo (USP). Ela explicou as técnicas de escuta e conversa do Programa Conflitos Familiares Difíceis (CONFAD), desenvolvido pela FMUSP, que podem ser empregadas por qualquer profissional, desde que passe por treinamento. “Pesquisas mostram que não são as mulheres que ficam constrangidas ao falar sobre violência, e sim os profissionais de saúde, que temem ser mal interpretados”, ressaltou a enfermeira, que trabalha na Secretaria de Saúde do Município de Osasco.

Stephanie apresentou algumas estratégias para a abordagem do assunto durante o atendimento em saúde. “As interações devem ser baseadas nos princípios: perspectiva de gênero, sigilo, confiança, decisão compartilhada e ausência de julgamento ou de vitimização das mulheres”, enumerou.  A professora Maria Fernanda concordou com a importância de o profissional de saúde saber ouvir e se expressar adequadamente. “O vínculo é estabelecido por meio da linguagem”, frisou.

A FCM/Santa Casa oferece um curso de especialização sobre o tema.  Intitulada Prevenção e Enfrentamento da Violência para a Garantia dos Direitos Humanos em Serviços de Saúde, a pós-graduação proporciona o desenvolvimento de competências técnicas, políticas e administrativas. A primeira turma tem início previsto para o primeiro semestre de 2020. Interessados podem cadastrar-se aqui para o recebimento de informações sobre o período de inscrição.

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