Vacinação é tema do 5º Encontro de Saúde e Cidadania Evento do Curso de Graduação em Enfermagem da FCM/Santa Casa discutiu os cenários e desafios da imunização no país

Compartilhar :

Especialistas debateram assuntos atuais relacionados à vacinação no Brasil. Clique na imagem para ver outras fotos

No dia 17 de outubro, o Brasil comemora o Dia Nacional da Vacinação. A data foi estrategicamente escolhida pelo Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Santa Casa de São Paulo para a realização do 5º Encontro de Saúde e Cidadania, com o tema “(Re) emergência das Doenças Imunopreveníveis: Reflexões Sobre a Responsabilidade do Enfermeiro”.  Professores e estudantes aproveitaram o evento para debater os acontecimentos deste ano – os surtos de febre amarela e sarampo, além da “epidemia” de notícias falsas, ou fake news, que diminuiu a adesão às campanhas de vacinação.

A Profa. Dra. Maria Josefa Penon Rujula, do Departamento de Saúde Coletiva da FCM/Santa Casa, apresentou o “Panorama Epidemiológico Atual da Morbimortalidade das Doenças Imunopreveníveis”. Em sua palestra, a docente abordou a incidência de meningite, febre amarela, coqueluche e sarampo, entre outras doenças.  Segundo Maria Josefa, a vacinação da febre amarela precisa ser intensificada.  “Há baixos índices de cobertura vacinal em diversas cidades. Inicialmente, a população fez filas enormes nos postos de saúde para receber a vacina, mas, passado um tempo, parou de se preocupar e muitos não se vacinaram”.

Estratégias na atenção básica

Em seguida, a enfermeira Cláudia Cerqueira Mariatti falou sobre as “Estratégias de Enfermagem para a Cobertura Vacinal” no território atendido pelo Centro de Saúde Escola Barra Funda Dr. Alexandre Vranjac (CSEBF). Ela expôs os procedimentos adotados pela equipe especializada, desde o acolhimento até o registro da vacinação no sistema de informações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de São Paulo.

No CSEBF, a vacinação também é promovida por meio da realização de bloqueios com um imunobiológico específico em creches, escolas, empresas e outros estabelecimentos da área de abrangência. “Se há, por exemplo, um caso de sarampo em um prédio, imunizamos o prédio todo e também o quarteirão onde se localiza”, esclarece a enfermeira.  Além disso, são feitas parcerias com empresas da região para atualização das vacinas de seus colaboradores e para auxílio na comunicação de campanhas de vacinação.

Cláudia detalhou, ainda, as ações realizadas pelas Equipes de Saúde da Família (ESF) nas visitas domiciliares com o objetivo de aumentar a cobertura vacinal. “Há uma busca ativa na área, com checagem das carteiras de vacinação de todos os moradores da residência; levantamento, no Sistema de Informação da Atenção Básica, da situação vacinal das crianças com menos de um ano; e, em casos nos quais há impossibilidade de locomoção, realizam a vacinação no domicílio”.

Programa Nacional de Imunizações

“A Responsabilidade da Gestão na Cobertura Vacinal” foi o tema da palestra da enfermeira Maria de Fátima Soares, interlocutora de imunização da Divisão de Vigilância em Saúde da Coordenadoria Regional de Saúde Leste da SMSSP. Ela apresentou o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que tem a missão de controlar, eliminar e erradicar doenças imunopreveníveis da população brasileira, definindo as campanhas nacionais e outras estratégias, entre elas o controle de surtos de doenças como raiva, sarampo e febre amarela.

O PNI alcança média de 80% de cobertura vacinal, com 19 vacinas que protegem contra 20 doenças.  No entanto, a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) é uma das vacinas com menor alcance, causando preocupação. “Para este ano, é esperado 70% de homogeneidade vacinal em relação à tríplice viral. Há muitas pessoas suscetíveis”, analisa a enfermeira.

Fake news e antivacinismo

As palestrantes debateram com a plateia as causas da não vacinação ou descontinuidade do esquema do calendário vacinal pela população. Foram citados diversos motivos, como barreiras geográficas, rotatividade de funcionários nas Unidades Básicas de Saúde e o fenômeno do antivacinismo, que leva as pessoas a recusarem a vacinação.

Os grupos contrários às vacinas propagam notícias falsas que influenciam negativamente as pessoas. “São publicações e vídeos contraditórios, sem fontes de dados e que expressam opiniões individuais”, afirma a Profa. Dra. Cell Regina da Silva Noca, uma das organizadoras do encontro.

A enfermeira Maria de Fátima lembrou que a escolha de cada um afeta toda a coletividade. “Quanto mais pessoas são imunizadas, menos a doença se espalha”, explicou. “Há pessoas que afirmam que nunca se vacinaram e, mesmo assim, nunca ficaram doentes, desvalorizando o papel da imunização. Mas, ao fazermos uma análise, estas pessoas se encontram em regiões nas quais houve vacinação da maioria ao seu redor, impedindo a propagação da doença até os indivíduos que rejeitaram a vacina”.

A comissão organizadora do evento foi formada por: Profa. Dra. Cell Regina da Silva Noca, Profa. Dra. Livia Keismanas de Ávila e Profa. Dra. Maria Fernanda Terra.

Para saber mais:

Situação do Sarampo no Brasil – informe de 22 de outubro de 2018

Brasil pode perder certificado de eliminação do sarampo, alerta Opas

Fake News sobre vacinação infantil gera menor índice de adesão em 16 anos

196 visualizações

Compartilhar :