Workshop de Sensibilização sobre Surdez e Acessibilidade à Saúde Evento ocorreu dia 30 de abril na FCMSCSP

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O Workshop de Sensibilização sobre Surdez e Acessibilidade à Saúde SMPED e FCMSCSP ocorreu dia 30 de abril de 2019 na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSCSP), com a participação de representantes das secretarias municipal e estadual da Pessoa com Deficiência, do Senado, profissionais da saúde, familiares, representantes de instituições e alunos da área da saúde, além de profissionais da educação e intérpretes A organização foi do Curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP.

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Participaram da Mesa de Abertura Marinalva Cruz, Secretária Adjunta da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo (SMPED), representando  o Secretário Cid Torquato; o  Superintendente da FAVC (Fundação Arnaldo Viiera de Carvalho), Sr. Antônio Augusto Brant de Carvalho; o Diretor da FCMSCSP, Prof. Paulo Carrara de Castro; a Coordenadora de Extensão da FCMSCSP, Profa. Adriana Limongeli Gurgueira; o  Coordenador de Pesquisa da FCMSCSP, Prof. Wagner Montor e a Representante SALIS (Saúde em Libras para o Surdo), Profa. Sylvia Lia Neves.

A Secretária Adjunta Marinalva enfatizou a necessidade de um melhor atendimento à saúde de pessoas com deficiência auditiva, lembrando que a exclusão se dá por muitas formas, que incluem aspectos que vão dos arquitetônicos dos espaços aos de acesso princípios básicos de comunicação numa loja, num banco ou num consultório médico. “É previso garantir o acesso a bens, produtos e serviços de toda ordem”, disse.

Carvalho apontou a disposição da FAVC. mantenedora da FCMSCSP, de selar parcerias que possam trazer benefícios à população. “As ações buscam sempre integrar os cursos de Medicina, Enfermagem, Fonoaudiologia, Sistemas Biomédicos e Radiologia”, afirmou o diretor Carrara. Montor completou enfatizando o diálogo com o Hospital da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia (ISCMSP), e a professora Adriana destacou ações em conjunto entre a FCMSCSP e a SMPED como muito importantes para a a área de extensão da instituição.

Sylvia Lia, que é surda e professora do Curso de Fonoaudiologia da FCMSCSP, realizou a palestra “Perfil da população surda no Brasil”. Informou a existência de 480 mil surdos no Estado de São paulo, sendo 150 mil na capital paulista. “É importante frisar que existe uma ampla diversidade de perfis que não podem ser unificados”, mencionou. “Poucos sabem que existem mais de 300 línguas de sinais no mundo.”

Ela também comentou o tema “Políticas de saúde auditiva e políticas para a população surda”, focando diversos aspectos do implante coclear e da presença do mediador entre o médico e o paciente numa consulta médica. “A grande maioria dos fonoaudiólogos, por exemplo, não conhece a língua de sinais nem está preparado para lidar com o preconceito e a falta de informação que estão presentes no atendimento à saúde de pacientes surdos”, disse. “Essa situação leva o surdo ao isolamento, seja no trabalho, nas ruas e nos hospitais. Por isso, aqui na FCMSCSP, com a minha ajuda, procuramos formar bons profissionais para atuar com pacientes surdos”, indicou.

Ao falar das “Condições de saúde da população surda no Brasil e no mundo”, a professora Noemi Takiuchi, da FCMSCSP, destacou a precária situação de acesso à saúde para os 2 milhões de surdos do Brasil, sendo que 90% deles são filhos de pais e mães ouvintes. Entre os problemas apontados, estão o diagnóstico tardio de doenças e a falta de materiais informativos em línguas de sinais. “Esses e outros fatores levam os surdos a não buscar o serviço de saúde, já que dizem que não são entendidos”, completa. “Nesse sentido, o tema é para todos, não apenas para aqueles com deficiência auditiva.”

“Acessibilidade comunicacional nos equipamentos de saúde e informação em Libras” foi o tema de Aline Andriotti de Moraes, da FCMSCSP. Ao focar o tema, destacou os vários modos de relação do surdo com o médico em uma consulta, como a presença de acompanhante, a comunicação escrita, os gestos, a leitura labial e a linguagem Libras. “Essa questão do atendimento se torna ainda mais preocupante quando pensamos numa situação de pronto socorro, em que a questão do tempo é essencial”, alertou.

Felipe Venâncio Barbosa tratou da “Mediação da relação médico-paciente em serviço de saúde mental”. Pesquisa realizada na USP mostrou como a presença de um mediador, por exemplo, impede que os distúrbios na expressão apontados por um paciente que utiliza línguas de sinais sejam percebidos por um psiquiatra que não domina esse meio de comunicação. “Meu interesse está na pesquisa em consultas de pacientes surdos com distúrbios psiquiátricos e, nelas, o intérprete pode apagar apaga atipias linguísticas que são importantes em processos de diagnósticos e tratamento. Por isso, um intérprete qualificado deve ser considerado parte da equipe de saúde.”

As professoras Aline, Noemi e Sylvia também apresentaram o Projeto SALIS – Saúde e Libras para o Surdo, da FCMSCSP. Explicaram que, em um dia do ano, no mês de dezembro, pacientes surdos são atendidos em Libras por profissionais e alunos dos cursos de Enfermagem, Medicina, Fonoaudiologia, Radiologia e Sistemas Biomédicos da Faculdade.

Lembraram ainda que os alunos de fonoaudiologia e enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa têm a disciplina de Libras como obrigatória no currículo, que é ministrada pela professora Sylvia Lia Grespan Neves. Em 5 de zembro de 2018, o Secretário Municipal da Pessoa com Deficiência Cid Torquato visitou a Clínica de Fonoaudiologia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo onde ocorreu a ação, destacando a importância da capacitação em Libras e ouvindo, na ocasião, as demandas pela ampliação do projeto com as professoras do curso de fonoaudiologia Sylvia Lia Grespan Neves, Noemi Takeushi e Adriana Gurgueira, além dos assessores parlamentares Heron Maturana e Paullo Vieira e a assessora da SMPED Elsa Oliveira.

Informações sobre o Projeto SALIS: projetosalis@gmail.com

Facebook: https://www.facebook.com/salissantacasa/

 

 

 

 

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