Pesquisa irá avaliar impacto do Hatha Yoga na qualidade de vida de estudantes de medicina Professor da FCM/Santa Casa acompanha os níveis de estresse em grupo de alunos antes e depois de um ciclo de 24 práticas

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Pesquisa vai analisar marcadores biológicos para estresse e neuroplasticidade. Clique na imagem para ver mais fotos

Desde meados de setembro, estudantes de medicina praticam yoga duas vezes por semana nas dependências da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Santa Casa de São Paulo. Eles são voluntários em uma pesquisa de doutorado que objetiva mensurar os efeitos do programa de Hatha Yoga em sua qualidade de vida.

O pesquisador responsável, Prof. Mestre Denival  Soares Galdeano,  é docente do Departamento de Morfologia (Disciplinas de Anatomia, Embriologia e Histologia) da FCM/Santa Casa e também o professor de yoga dos alunos que participam da pesquisa. Galdeano investiga o impacto desta prática milenar nos estudantes por meio da análise de marcadores biológicos para estresse e neuroplasticidade.

O estudo é realizado sob a orientação do Prof. Dr. Hudson de Souza Buck, chefe do Departamento de Ciências Fisiológicas da FCM /Santa Casa, com coorientação da Profa. Dra. Tânia Araújo Viel, coordenadora do Grupo de Pesquisas em Neurofarmacologia do Envelhecimento (GPNFE) da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo e da FCM/Santa Casa.

Um grupo de cinco alunos em iniciação científica atua de maneira ativa na pesquisa, sob a coordenação de Galdeano e da Profa. Dra. Lia Mara Rossi, docente do Departamento de Morfologia da FCM/Santa Casa e da Faculdade de Medicina de Jundiaí.

Dinâmica do estudo

Foram convidados a participar da pesquisa os alunos do primeiro e segundo anos do curso médico da faculdade. Entre aqueles que manifestaram interesse, 20 estudantes preencheram os critérios pré-estabelecidos e integraram o grupo.

Antes de iniciar as atividades, cada estudante preencheu um questionário sobre qualidade de vida e recebeu um kit para coleta de saliva – a amostra será utilizada para verificar os níveis do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF, do inglês Brain-Derived Neurotrophic Fator) e do hormônio cortisol, o qual indica o grau de estresse no organismo. Estes dois instrumentos de avaliação (questionário e exames clínicos) serão repetidos após um ciclo de 24 sessões de prática e estudo teórico do yoga.

Ação do cortisol no organismo

“Estudos comprovam que o aumento de cortisol no corpo humano implica na redução do BNDF, proteína endógena que regula os circuitos cerebrais envolvidos na aprendizagem, na memória e nas maneiras de lidar com o estresse”, explica Galdeano. O BNDF faz parte das neurotrofinas, família de proteínas que possui papel fundamental no desenvolvimento do sistema nervoso.  “Ele é responsável pela criação de novos neurônios, ampliação de dentritos e melhora da plasticidade neuronal”, esclarece o pesquisador.

Plasticidade neuronal é o nome dado à capacidade que os neurônios (células do sistema nervoso central) têm de formar novas conexões entre si a cada momento, ao receberem estímulos externos ou internos. Os dentritos, ramificações que fazem parte da estrutura dos neurônios, realizam esta comunicação, por meio das sinapses, espaços preenchidos por fluido onde ocorre a transmissão de impulsos nervosos de uma célula para outra.

Com o estudo, Galdeano pretende provar cientificamente o que já tem observado em sua atuação como instrutor de yoga. “Pessoas que praticam yoga melhoram a memória e os mecanismos de prevenção e defesa contra o estresse, como a capacidade de adaptação a diferentes situações e o controle mental”.

No próximo ano, Galdeano pretende abrir novos grupos que poderão integrar a pesquisa. Os estudantes de medicina interessados podem enviar um e-mail para denival.galdeano@fcmsantacasasp.edu.br .

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