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31/03/2026

Obesidade infantil pode atingir 500 milhões até 2040; especialista aponta desafios no tratamento

No Dia Nacional da Saúde e da Nutrição, docente da Faculdade Santa Casa de SP defende ampliação de políticas públicas

63 anos

No Dia Nacional da Saúde e da Nutrição, celebrado em 31 de março, o avanço da obesidade infantil no mundo volta ao centro do debate. De acordo com a World Obesity Federation, a doença pode atingir mais de 500 milhões de crianças e adolescentes até 2040, reforçando a necessidade de ampliar estratégias de prevenção e, principalmente, de acesso ao tratamento.

Na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), o tema ganha destaque como parte do compromisso institucional com a formação de profissionais de saúde e com a promoção de discussões sobre desafios contemporâneos da saúde pública.

Para a professora Rachel Helena Vieira Machado, docente do curso de Nutrição e doutoranda em saúde materno-infantil, a data é um momento oportuno para ampliar o debate sobre a complexidade da obesidade infantil.

Segundo a especialista, a condição não pode ser reduzida a hábitos individuais. “A obesidade surge como resultado da interação de muitos sistemas que envolvem aspectos políticos, a comercialização de alimentos, o ambiente físico e social no nosso entorno, nossa cultura e hábitos individuais. Devemos reforçar a cobrança junto aos gestores de saúde e de políticas públicas, ao mesmo tempo em que relembramos a importância do estilo de vida saudável”, afirma.

Reconhecida há décadas pela Organização Mundial da Saúde como uma doença multifatorial, a obesidade envolve fatores biológicos, sociais e psicológicos. Entre eles, destacam-se o acesso a espaços de lazer, a estrutura das escolas, a segurança pública, a disponibilidade de tempo e recursos das famílias, além da rotina de trabalho e estudo.

Nos casos de crianças com excesso de peso, outros fatores também impactam o quadro, como o aumento do tempo de exposição a telas, o sedentarismo, o bullying e o uso da alimentação como resposta à ansiedade.

Apesar da existência de políticas públicas robustas voltadas à prevenção, a professora alerta para lacunas no tratamento da doença no país. “O Brasil possui uma Politica Nacional de Alimentação e Nutrição forte e robusta em ações preventivas, mas ainda avança na ampliação ao tratamento em sua complexidade”, destaca.

Nesse cenário, a ampliação de políticas públicas mais robustas e integradas é apontada como essencial, assim como a formação de profissionais capacitados para lidar com a doença de forma interdisciplinar.

Além da formação acadêmica, a FCMSCSP desenvolve ações práticas voltadas à comunidade, com foco na prevenção e no enfrentamento da obesidade desde a infância. Por meio de atividades de extensão, os alunos participam de atendimentos, realizam diagnósticos nutricionais e orientam a população sobre riscos à saúde e estratégias de cuidado.

Entre as iniciativas, destacam-se ações de vigilância nutricional, com avaliação detalhada da composição corporal, além de atividades educativas em escolas, que utilizam abordagens lúdicas para incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida.

Os projetos também envolvem parcerias com hospitais e instituições de saúde, permitindo aos estudantes vivenciar, na prática, o manejo do excesso de peso em diferentes contextos sociais. As ações são desenvolvidas de forma integrada com áreas como Medicina, Psicologia e Educação Física, refletindo a abordagem interdisciplinar necessária para o enfrentamento da obesidade.

A atuação da Faculdade Santa Casa de São Paulo reforça o papel das instituições de ensino na formação de profissionais preparados para enfrentar desafios complexos da saúde pública. Para especialistas, o avanço no combate à obesidade infantil depende da articulação entre políticas públicas, educação, qualificação técnica e ampliação do acesso ao cuidado.