Realizado a partir de uma parceria com a Prefeitura de Atibaia, o programa contou com nove cursos de graduação para atendimentos interdisciplinares
Entre os dias 25 e 31 de janeiro de 2026, o Programa de Expedições Científicas Assistenciais (PECA) esteve presente na cidade de Atibaia (SP) para a realização de atividades assistenciais em diversas especialidades na área da saúde.
Foto: Tatiana Pagamisse
Considerado o maior programa de extensão da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), o PECA é voltado à integralidade do cuidado, permitindo que os estudantes aprendam para além da sala de aula. Por meio do programa, alunos se deslocam até comunidades de municípios do estado de São Paulo para conhecer a realidade local, planejar e realizar ações de saúde a partir das demandas reais da população, considerando o contexto biopsicossocial e espiritual do território.
Esta edição contou com o apoio de mais de 100 profissionais voluntários da Irmandade da Santa Casa de São Paulo e docentes da Faculdade. A edição é considerada histórica, pois, com 317 alunos inscritos para as atividades, foi a primeira vez que os cursos de Biomedicina, Farmácia, Nutrição, Psicologia e Odontologia participaram em conjunto com os cursos de Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Medicina.
Os voluntários realizaram atendimentos, exames e cirurgias a partir das necessidades da população local. A parceria com a Prefeitura de Atibaia foi essencial para garantir uma gestão organizada e eficaz do programa, com a realização de triagens junto aos munícipes.
De acordo com a Profª Dra. Graziela Ramos Barbosa de Sousa, coordenadora de Extensão da Faculdade, a parceria com o município permitiu uma organização sistemática da fila de espera, ampliando o número de atendimentos diários conforme a capacidade das equipes. Assim, o atendimento ocorreu com 50 vagas diárias para demanda espontânea e cerca de 70 atendimentos agendados pelo município, por especialidade.
Além da organização das demandas, a parceria garantiu uma forte articulação intersetorial. “Atibaia tem um Núcleo de Educação Permanente bem estruturado, e, como somos uma instituição de ensino, essa integração foi muito importante para nós, gerando aprendizados tanto para docentes quanto para discentes”, explica.
Com essa dinâmica, o PECA 2026 registrou mais de mil pessoas atendidas, com expectativa de ultrapassar 3 mil atendimentos, já que cada paciente passou, em média, por duas ou três especialidades. Ao longo dos dias de atendimento, houve agendamentos específicos para audiometria, consultas especializadas, implantação de DIU, atendimentos em oftalmologia, dermatologia, pediatria, centro cirúrgico e policlínica.
Além disso, esta foi a primeira edição em que os estudantes puderam realizar a avaliação do pé de pessoas com diabetes nas consultas de enfermagem, garantindo um atendimento mais completo e interdisciplinar.
Para a professora, o programa amplia as oportunidades de aprendizagem para além dos espaços tradicionais, provocando reflexões que nem sempre são possíveis em sala de aula.
“Ao participar do PECA, o aluno aprimora competências já desenvolvidas academicamente, agora aplicadas à realidade social. O estudante aprende não apenas sobre a sociedade, mas com a sociedade, desenvolvendo um olhar voltado à transformação social, às necessidades do SUS e às demandas de saúde do país, sempre com foco na assistência integral”, explica Graziela.
A atuação no PECA possibilita o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes tanto na assistência quanto na gestão. Entre os principais aprendizados estão:
Ao retornar do programa, os docentes observam que os estudantes ampliam a capacidade de compreender a complexidade da assistência em saúde e a importância de atuar com a comunidade, considerando suas reais necessidades e o contexto do território.
Para além da integração de novos cursos e da parceria com Atibaia, esta edição foi considerada histórica por diversos motivos: