Generic filters
Somente termos exatos
Buscar no título
Buscar no conteúdo
Search in excerpt
08/12/2025

Especialista da Faculdade alerta para o esgotamento emocional no fim do ano e orienta como atravessar o período com mais equilíbrio

Prof. Dr. Victor Otani explica sinais, causas e estratégias para enfrentar este período desafiador

esgotamento emocional no fim do ano

O fim do ano, geralmente lembrado pelas celebrações, férias e reencontros, também tem se mostrado um período de maior vulnerabilidade emocional. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência de sintomas de ansiedade e estresse pode aumentar até 20% entre novembro e janeiro, impulsionada pelo acúmulo de demandas profissionais, pelas expectativas sociais e pelo uso intensificado das redes sociais.

Para o Prof. Dr. Victor Henrique Oyamada Otani, psiquiatra e docente do Departamento de Saúde Mental da Faculdade Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), esse conjunto de fatores transforma o período em um ambiente propício ao adoecimento emocional.

“O fim do ano forma uma tempestade perfeita: metas não cumpridas, prazos acumulados, idealizações nas redes sociais, piora do sono, aumento do consumo de álcool e convivência forçada em alguns contextos”, explica o professor.

Sinais de alerta: quando o cansaço deixa de ser comum

Segundo Otani, o esgotamento emocional característico dessa época vai além do cansaço típico da rotina. Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • nevoeiro mental (brain fog),

  • irritabilidade,

  • alterações no sono,

  • dores de cabeça,

  • sintomas gastrointestinais,

  • perda de interesse por atividades antes prazerosas.

“É como se a bateria nunca carregasse totalmente, deixando a pessoa em constante sensação de cansaço”, afirma o docente.

Burnout x cansaço de fim de ano: como diferenciar

O psiquiatra destaca que o burnout é um transtorno ocupacional diretamente ligado ao trabalho, e sua principal diferença em relação ao cansaço comum está na capacidade de recuperação.

“Se consigo descansar no fim de semana, provavelmente é o cansaço típico do período. No burnout, não há recuperação plena”, explica.

Nos últimos anos, o burnout tem se tornado uma preocupação crescente no Brasil. Em 2023, o país esteve entre os cinco com maior incidência da síndrome no mundo, e aproximadamente 30% dos trabalhadores brasileiros apresentam sinais da condição — índice inferior apenas ao registrado no Japão.

A pressão das metas e o peso simbólico do calendário

De acordo com o professor, parte da sobrecarga percebida nas últimas semanas do ano é autoimposta e reforçada pelas redes sociais. A comparação constante e a sensação de não ter alcançado metas estimulam frustração e ansiedade.

“Biologicamente, 1º de janeiro é igual a qualquer outro dia. Mas socialmente criamos significados que aumentam a cobrança. É preciso desenvolver flexibilidade cognitiva e entender que prazos podem ser ajustados”, orienta.

Essa dinâmica intensifica a percepção de que “todos conquistaram algo, menos eu”, um fenômeno recorrente nas redes e potencialmente prejudicial para a saúde mental.

Solidão, luto e gatilhos emocionais no período festivo

Para pessoas que vivenciaram perdas recentes ou se encontram isoladas, o fim do ano pode intensificar sentimentos de tristeza, solidão e desconexão. A exposição contínua a imagens idealizadas de famílias e celebrações, especialmente nas redes sociais, tende a agravar esse cenário.

Estudos recentes apontam a solidão como fator de risco para diversas condições físicas, incluindo doenças cardiovasculares. Uma estratégia recomendada pelo psiquiatra é buscar conexões reais, como a participação em ações voluntárias.

“O voluntariado ativa centros de recompensa do cérebro e favorece um reencontro consigo mesmo”, destaca.

Estratégias para cuidar da saúde mental no fim do ano

Otani orienta que pequenos ajustes na rotina podem contribuir significativamente para um período mais equilibrado emocionalmente. Entre as recomendações estão:

  • reduzir o consumo de álcool;

  • priorizar o sono;

  • manter atividade física regular;

  • praticar meditação ou mindfulness;

  • buscar acompanhamento psicológico preventivo.

O principal alerta está na queda de funcionalidade: “Se o estresse começa a impactar trabalho, relações e tarefas básicas, é hora de procurar ajuda profissional”, reforça.

Para o especialista, cuidar da saúde emocional no fim do ano está menos ligado à produtividade e mais à capacidade de criar pausas intencionais. “Não é preciso renascer no dia 1º, nem resolver tudo antes do mês acabar. Às vezes, a maior demonstração de autocuidado é simplesmente permitir-se respirar.”