01/07/21

40% dos associados do SESC interromperam a prática de atividades físicas durante a pandemia, segundo pesquisa de professor da Santa Casa Pesquisa foi coordenada pelo Dr. Paulo Kertzman, ortopedista e médico do Esporte na FCMSCSP

Estudo revela que quase 40% dos entrevistados interromperam totalmente a prática de atividades físicas realizada durante a pandemia. Devido ao fechamento das unidades do SESC (Serviço Social do Comércio), os entrevistados passaram a sentir mais dores, perda de força e de equilíbrio, piora do sono, além de relatarem sentimento de tristeza devido à falta de convivência. Entre os usuários que se mantiveram ativos, menos da metade realizou atividades durante os vários dias da semana.
Realizada em parceria com o SESC São Paulo, a pesquisa foi coordenada pelo Dr. Paulo Kertzman, ortopedista e médico do Esporte na FCMSCSP. “Trabalho com a divulgação da importância do exercício físico para a saúde há muitos anos, e com a pandemia, este tema foi abordado como nunca”, destaca. “Nosso objetivo é divulgar os benefícios da atividade física, além de tornar o ambiente da Faculdade e do hospital mais ativos fisicamente, incentivando os alunos e médicos a abordar este tema.”

Santa Casa integrada no projeto “Exercício é remédio”

No Brasil, a FCMSCSP representa o programa “Exercício é remédio”, do American College Sports Medicine, sediado nos Estados Unidos. A iniciativa visa estimular a prática regular de atividades físicas, como forma de melhorar a qualidade de vida, prevenção de doenças e até mesmo auxiliar no tratamento de problemas de saúde como hipertensão arterial, diabetes, obesidade e depressão. Aproveitando a experiência do SESC em promover atividades físicas, a FCMSCSP optou por executar a pesquisa em conjunto para avaliar o impacto do isolamento social nos associados ao serviço.

Foram realizadas 6.313 entrevistas, número que representa amostragem significativa, uma vez que o SESC conta com cerca de 30.000 usuários. As respostas foram obtidas por meio do preenchimento de questionário on-line aos associados, a partir da suspensão quase total das atividades. Foi perguntado sobre o tipo de atividade que a pessoa praticava antes e depois do fechamento das unidades, com qual frequência, por que fazia, como está se sentindo agora, o aproveitamento das aulas digitais promovidas pelo SESC, entre outras questões.

O público entrevistado é formado predominantemente por mulheres (73,3% das respostas). Até a interrupção do serviço, a ginástica multifuncional foi a atividade mais praticada por 57,3% dos respondentes, seguida por hidroginástica (27,4%), yoga e pilates (12,1%), natação (11,9%), corrida (8,3%) e esportes de quadra (7%). Além das atividades realizadas no SESC, 42,9% revelaram praticar também caminhada, 11,5% treino de força, e 11% corrida. A maior parte dos entrevistados (52,4%) realiza atividades três ou mais vezes por semana, e 44,2% somente duas, sendo que 24,2% do total de entrevistados praticam as atividades exclusivamente na entidade.

Caminhada lidera preferência entre os entrevistados

Como alternativa para se manterem ativos, a caminhada obteve 61% das respostas dos entrevistados, sendo seguida por treino de força, com 31,4%, yoga e pilates com 16,9%, corrida e ciclismo por 14% e 8%, respectivamente. A prática de atividades físicas nas ruas, parques e praças foi a opção adotada com mais frequência por 54,4% dos entrevistados, e, em casa, para 53%. Cerca da metade dos entrevistados (47,7%) treinou sem orientação, e 37% acompanharam algum tipo de aula pela Internet ou televisão.

Entre as ações de orientação de atividade física oferecidas pelo SESC por meio das plataformas digitais, apenas 36,8% dos associados conseguiram acompanhá-las devido a dificuldades em adaptação com o formato digital, desconhecimento ou ainda falta de espaço em casa para a realização dos exercícios. A plataforma mais utilizada para acessar o conteúdo foi o Instagram. De forma geral, os usuários relataram sentir falta da rotina de atividades no SESC: 76,7% querem voltar assim que possível às atividades físicas; 45,2% sentem falta do contato com os professores, 40% reclamam da falta dos amigos, e 30% dos treinos mais fortes.

Dados mostram que grupo pesquisado é bastante ativo

O resultado obtido com a amostra aponta que os entrevistados fazem parte de um grupo bastante ativo e que, ao serem questionados qual a motivação para realizar as atividades, 77,7% dos entrevistados responderam que cuidar da saúde é a principal motivação. Para 42,3% dos que realizam atividades a principal motivação é o gosto pela prática, 24% para perder peso, 16,8% para fazer amizades, e 5,2% para manterem a boa aparência física. “Os dados demonstram o impacto benéfico na saúde física e mental que a prática de atividades físicas causa nas pessoas”, conclui Kertzman. “Ao mesmo tempo que aponta para os efeitos graves do isolamento e afastamento das atividades, que resultaram no aumento do sedentarismo e distanciamento das amizades.”

Lembre-se: praticar exercícios pode salvar vidas. Isolamento sim, sedentarismo, não!

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