Desigualdades sociais em saúde bucal em escolares Tese foi defendida na FCM/Santa Casa

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Há necessidade da implementação de políticas públicas de saúde voltadas para crianças com dentição decídua (os populares dentes de leite) e suas famílias, bem como para aqueles que vivem em condições de vida mais desfavoráveis no intuito de reduzir as disparidades de saúde bucal existentes entre as populações.

Essa é a conclusão de VANESSA BARREIROS GONÇALVES na pesquisa DESIGUALDADES SOCIAIS EM SAÚDE BUCAL EM ESCOLARES, tese apresentada ao Curso de Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do Título de Doutora em Saúde Coletiva, Área de Concentração CONDIÇÕES DE VIDA E SITUAÇÃO DE SAÚDE, sob orientação da Profa. Dra. Rita de Cássia Barradas Barata.

A pesquisa mostra que o Brasil é um país marcado por enormes desigualdades sociais que constituem determinantes relevantes para o processo saúde-doença da população. As desigualdades sociais em saúde bucal têm sido relatadas em vários estudos que comprovam o reflexo das péssimas condições de vida no adoecer bucal. E

O estudo teve como objetivo avaliar a relação de agravos bucais em escolares de 5 e 12 anos de escolas públicas e privadas do município de Itabuna, Bahia, com aspectos sociais. Compuseram a amostra 193 crianças de 5 anos, 180 crianças de 12 anos, bem como 373 pais ou responsáveis pelas mesmas.

Foi realizado o levantamento epidemiológico de cárie, gengivite e má oclusão dos participantes através de exame clínico, e o envio de questionário para os responsáveis pelas crianças para buscar dados referentes às características sociodemográficas, a situação socioeconômica familiar, o acesso ao sistema de saúde, bem como a influência dos mesmos no adoecer bucal.

Das 193 crianças de 5 anos examinadas, quase metade foi composta por meninas (49,7%) e um pouco mais da metade por meninos (50,3%), e das 180 crianças de 12 anos, a maior parte foi composta por meninas (61,7%). Com relação a cor das crianças de 5 anos, a preta (54,0%) e a parda (39,0%) foram observadas em maior proporção dentre as crianças das escolas públicas, e a cor branca (37,7%) e parda (43,3%) dentre as das escolas privadas, tendência semelhante foi observada dentre as crianças de 12 anos.

As famílias das crianças que estudavam nas escolas públicas apresentavam fatores sociodemográficos mais desfavoráveis, dentre eles, escolaridade, renda e classe social mais baixos. Em relação ao uso e acesso ao serviço de saúde, os familiares das crianças das escolas públicas tenderam a buscar mais o serviço público de saúde para a assistência odontológica e em geral.

A prevalência de cárie, bem como sua gravidade, foi maior nas crianças de 5 anos do que nas de 12 anos, sendo que as crianças das escolas públicas tinham pior situação em relação a este agravo em comparação aos escolares das escolas privadas.

Independentemente do tipo de escola, a condição periodontal das crianças se encontrava normal em ambas as idades, bem como, grande parte das crianças de 5 anos não apresentavam alteração na mordida. Já 96 as crianças de 12 anos tinham maior proporção de alteração na oclusão, sendo que nas crianças das escolas particulares a má oclusão classificada como leve foi maior, enquanto que a alteração de moderada a grave foi observada em maior proporção nos escolares das escolas públicas.

Foi percebida ainda a influência das variáveis sociodemográficas e econômicas e de uso e acesso ao serviço de saúde para o desfecho da cárie, porém não foi observada para os desfechos das doenças periodontais e má oclusão. O tipo de escola persistiu como marcador social das desigualdades tanto para as crianças de 5 como para as de 12 anos, após ajuste pelas variáveis associadas ao desfecho cárie na análise univariada.

A pesquisa está acessível gratuitamente na íntegra em http://fcmsantacasasp.edu.br/wp-content/uploads/2018/06/2019-Vanessa-Barreiros-Gon%C3%A7alves.pdf

 

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