Enfermeiras negras de destaque na sociedade brasileira e seus legados deixados para a enfermagem contemporânea Trabalho foi apresentado no Encontro Sudeste da Rede Unida

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Para lembrar a importância da Semana da Enfermagem, celebrada de 12 a 20 de maio de 2020, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo apresenta algumas de suas ações de ensino, pesquisa e extensão de destaque.

“Enfermeiras negras de destaque na sociedade brasileira e seus legados deixados para a enfermagem contemporânea” foi apresentado no Encontro Sudeste da Rede Unida – “Multidão em nós: Existir para Resistir”, no período de 30/10 a 01/11/2019, na Faculdade de Saúde Pública/USP, em São Paulo.

A pesquisa é de autoria de Gabriela Almeida Damasio, acadêmica do 7º semestre do curso de graduação em enfermagem da FCMSCSP; e Maria Fernanda Terra, Professora instrutora da FCMSCSP.

O trabalho tem por finalidade apresentar o legado de enfermeiras negras brasileiras de destaque na profissão a partir de práticas de cuidados em saúde desenvolvidas por elas. Consideramos que a prática de cuidado agregue as questões culturais, experiências vividas ao longo da carreira e da vida, mas que, para as profissionais negras, o racismo institucional nega e invisibiliza a história destas.

O início da enfermagem é marcado a partir das ações assistenciais de Florence Nightingale durante a guerra da Criméia. Esta enfermeira foi responsável por criar a 1ª teoria de enfermagem – teoria ambientalista, que propõe que, “o cuidado em enfermagem envolve considerar relação com a natureza, para que esta aja sobre o doente”.

Outra grande enfermeira da época durante a guerra da Criméia, foi Mary Seacole, conhecida como, “Nightingale Negra”, mas que teve o seu trabalho esquecido pela história, pela enfermagem por ser negra, esquecida frente ao preconceito. No Brasil, durante a Guerra Paulista, em 1932, uma enfermeira negra, que esteve presente na história do país atuando como enfermeira da legião negra na Revolução Constitucionalista, a Maria Soldado, também não mencionada na história da Enfermagem.

No Brasil o total da equipe de enfermagem é de 1.804.535 e de acordo com o Cofen tem-se vinte e três por cento (23%) de enfermeiras, sendo oitenta e seis, dois por cento (86,2%) do sexo feminino, noventa e oito, oito por cento (98,8%) brasileira, cinquenta e sete, nove por cento (57,9%) branca, seis, seis por cento (6,6%) preta (Fiocruz, Cofen, 2013).

De acordo com a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, “O racismo institucional constitui-se na produção sistemática da segregação étnico-racial, nos processos institucionais. Manifesta-se por meio de normas, práticas e comportamentos discriminatórios adotados no cotidiano de trabalho, resultantes da ignorância, falta de atenção, preconceitos ou estereótipos racistas, que coloca pessoas de grupos raciais ou étnicos discriminados em situação de desvantagem no acesso a benefícios gerados pela ação das instituições e organizações, a alteração no contexto das trajetórias, omissão de singularidades, negação de fatos históricos e invisibilidade de sujeitos históricos”.

O trabalho está em fase final e buscará identificar, a partir da literatura e documentos publicados, as enfermeiras negras de destaque na sociedade brasileira e os legados deixados por elas para a Enfermagem contemporânea. Metodologia: O presente estudo é de natureza qualitativa, descritiva que se utiliza do método pesquisa histórica a partir da análise documental com a finalidade de resgate de memórias.

Para essa pesquisa, serão buscados documentos, tais como: matérias de internet, livros, artigos, documentos etc. em bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americano e do Caribe em ciências de Saúde (lilacs), Scientific Eletronic Library online (scielo) e google acadêmico.

Para esclarecimento dos resultados e análise de dados deliberou-se pela construção de uma tabela estruturada com informações da vida pessoal e profissional das enfermeiras negras encontradas na literatura pesquisada.

Durante a pesquisa foi observado que a invisibilidade das mulheres negras e o racismo institucional foram uma fonte norteadora para o esquecimento da história de luta na vida pessoal, formação acadêmica e carreira profissional, ressaltando a importância do conhecimento da cultura de seu povo e do marco histórico de resistência das mulheres negras, existindo para resistir. A pesquisa de resultados segue em andamento.

Conheça outras ações do Curso de Enfermagem da FCM/Santa Casa: http://fcmsantacasasp.edu.br/semana-da-enfermagem-2020/

Postado em 12/5/2020

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