Estudo mostra experiências de países que já retomaram aulas presenciais durante a pandemia Professor da FCM/Santa Casa é entrevistado pela Folha Vitória (ES)

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Uma pesquisa realizada por um grupo de estudiosos e médicos mostrou como foi a retomada das aulas presenciais, após a diminuição de casos e mortes por coronavírus em mais de 15 países. O estudo revela experiências boas e ruins quanto aos protocolos sanitários adotados e leva base para instituições e famílias discutirem a retomada das atividades nas escolas.

O epidemiologista Wanderson Oliveira, ex-secretário Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a pedido da Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar), coordenou um dos grupos de estudo.

De forma geral, o levantamento mostrou que crianças são significativamente menos suscetíveis à covid-19, representando apenas 2% dos casos globalmente e 24% da população mundial.

Além disso, segundo o parecer dos médicos envolvidos no estudo, a evidência nos locais onde houve reabertura mostra que crianças contribuem pouco para a cadeia de transmissão, mesmo quando frequentam a escola.

No Espírito Santo, ainda não há data definida para aulas presenciais, mas o governo do Estado já divulgou um protocolo (Ensino Fundamental e Médio) a ser seguido pelas instituições quando for o momento da retomada. As instituições ainda aguardam orientações da Secretaria de Educação (Sedu) voltadas para a Educação Infantil.

Experiências
Na Alemanha, por exemplo, um dos países pesquisados, as escolas ficaram fechadas por 68 dias (13/03 ao dia 04/05). Quando as unidades reabriram, alguns procedimentos foram adotados como distanciamento de 1,5 m, aferição de temperatura na chegada, higiene das mãos, etiqueta da tosse, obrigação do uso de máscaras, utilização de álcool gel e autoaplicação de testes pelos alunos para averiguar se alguém manifestava algum sintoma.

Por lá, a curva de mortes, que estava em queda, teve um leve aumento e depois caiu novamente.

No Reino Unido, as escolas ficaram fechadas de 20/03 a 01/06 e além das medidas de higiene, as instituições adotaram protocolos anti-aglomerações, escalonando horários e separando salas, limitando ao número de 15 alunos por turma. Os grupos funcionam como ‘bolhas’ e cada turma tem horários de ‘recreio’ definidos.

O comportamento da curva de óbitos se mostrou semelhante ao que aconteceu na Alemanha. A curva que estava em queda, teve um acréscimo após a abertura das escolas e posteriormente voltou a cair.

Apesar dos resultados relativamente positivos em vários países, houve também casos desastrosos, como visto em Israel.

Sem adotar medidas sanitárias, dispensando o uso de máscaras e ignorando regras de distanciamento, o País reabriu as escolas e teve de fechá-las menos de dois meses depois, por conta do aumento do número de mortes.

Opiniões de especialistas
O levantamento também mostrou a visão de vários médicos sobre a retomada das aulas presenciais no Brasil. Para o médico pela Universidade de São Paulo (USP), doutor em infectologia pediátrica pela USP, doutor Evandro Baldacci, a discussão do tema é importante para que a retomada seja segura para escolas e estudantes.

“A pergunta crítica: será que é melhor a criança ficar em casa ou ir para a escola? Está nítido que vários outros problemas vêm à tona com o fechamento das escolas. Sou a favor do retorno, desde que algumas condições de segurança de higiene, horário, etc sejam obedecidas. Mas as restrições precisam ser praticáveis. É preciso diálogo e entendimento para preparar as escolas, famílias e, principalmente, as próprias crianças.”

Para o médico diretor do departamento de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Dr. Marco Aurélio Palazzi Sáfadi, é preciso que autoridades e instituições levem em conta os efeitos mentais nas crianças, que já estão há tempos longe das escolas.

“Só se deve abrir escolas em áreas em processo de descenso de infecções. Acho importante que devemos manter em mente, para além dos riscos da retomada de atividades presenciais, todos os outros riscos inerentes à ausência da escola para as crianças. Influenza, por exemplo, é uma doença que apresenta riscos importantes à saúde infantil, mas não interrompemos aulas exclusivamente por conta dela”, afirmou.

Outros dados
O estudo mostrou ainda que crianças vulneráveis têm menos acesso à educação a distância de qualidade e sofrem mais com as instituições fechadas. Além disso, o levantamento apontou que mulheres tem um comprometimento significativamente maior de sua atividade profissional, acentuando as desigualdades sociais e de gênero no Brasil.

O estudo mostrou ainda que a manutenção do fechamento das escolas pode agravar a recessão econômica, com prejuízos correspondentes a até 1% do PIB.

Reportagem completa aqui.

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