05/11/2021

Artigo do Prof. Dr. Guilherme Messas publicado na The Lancet Psychiatry trata de métodos atuais para personalizar o diagnóstico psiquiátrico em saúde mental O artigo foi publicado na renomada revista `The Lancet Psychiatry´

O professor Guilherme Messas, do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Faculdade da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), teve o artigo ‘Three dialectics of disorder: refocusing phenomenology for 21st century psychiatry’ (Três dialéticas da desordem: reorientando a fenomenologia para Psiquiatria do século 21) publicado em outubro na edição nº 8 da revista The Lancet Psychiatry, que é uma das mais conhecidas e prestigiadas publicações sobre medicina.

No artigo, Messas trata de métodos atuais para personalizar o diagnóstico psiquiátrico em saúde mental, destacando estratégias-guia para identificação por meio da dialética, apresentando alternativas em três dimensões. “Dialética significa a investigação de uma relação, ou seja, você tem que investigar como um polo se relaciona com o outro, como se dá o desequilíbrio de certas dimensões”, diz.

Segundo Messas, a primeira dimensão é a mais óbvia e mais intuitiva, e muito importante num diagnóstico. “Você deve examinar o valor que o paciente dá para determinada experiência. Ou seja, a pessoa pode experimentar um sentimento depressivo e valorizar aquilo como uma doença para busca de tratamento. Contudo, ela pode valorizar isso como uma falta de fé, por exemplo, e buscar um auxílio religioso”, afirma. “A maneira como a pessoa valoriza determinada questão importa no contexto global do diagnóstico.”

A segunda dialética tratada no artigo de Messas aborda a maneira como cada experiência patológica aparece na consciência, portanto um tema mais técnico. “Mais importante do que o conteúdo, é a proporção com a que cada experiência aparece”, destaca. “O paciente pode ter uma experiência patológica de angústia depressiva em que o passado tome conta de sua consciência, que fica remoendo culpas e falhas do passado. Assim como pode ter uma alteração em que não pensa no presente e só experimenta o futuro, adotando condutas muito irresponsáveis em que a pessoa só experimenta o futuro e não as consequências do presente, não percebendo as dimensões de cada experiência.”

Já a terceira dialética é a da ambiguidade, o que significa que para a elaboração do tratamento é necessário conhecer as possibilidades de cura que são próprias daquela alteração, que pode melhor representar a capacidade de evolução no tratamento. “O paciente pode ficar deprimido, por exemplo, porque é responsável demais e, por causa dessa responsabilidade excessiva, perder o gosto pela vida e se deprimir”, problematiza. “A solução aí, além de usar a medicação, é trabalhar com essa capacidade da pessoa ser séria demais e fazer o tratamento utilizando este vetor, mas de uma maneira tolerável. É importante não fazer com que a pessoa tenha que se transformar radicalmente. Então, a ideia disso é que você encaminhe o diagnóstico não para mudanças que são impossíveis, que são irreais, e, ao contrário, você diagnosticar aquilo que é possível se fazer dentro daquela realidade.”

Acesse aqui o artigo na íntegra.

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