Mas, afinal, para que servem a cloroquina e a hidroxicloroquina? Professor da FCM/Santa Casa é entrevistado pela Rádio R2

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Mas, afinal, para que servem a cloroquina e a hidroxicloroquina? No programa Saúde e Bem Estar da Rádio R2, de 26/5/2020, o infectologista Marco Aurélio Safadi, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) explica por que a OMS fez um alerta sobre o uso das substâncias em pacientes com Covid-19.

No último dia 25 de maio, a Organização Mundial da Saúde, a OMS, suspendeu os testes relacionados ao uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19.

A decisão foi tomada após uma investigação associar os tratamentos a um maior risco de morte, em pacientes infectados pelo coronavírus.

A OMS decidiu interromper as pesquisas e analisar todos os dados colhidos nos estudos feitos até agora, para decidir se os experimentos devem ou não ser retomados.

Apesar do anúncio, o Ministério da Saúde decidiu manter a orientação para o uso das duas substâncias no tratamento de pacientes com quadros leves de Covid-19, no Brasil

A cloroquina e a hidroxicloroquina já eram recomendadas, em todo o País, para os casos mais graves da infecção.

O infectologista Marco Aurélio Safadi, professor da FCMSCSP, conta que as duas substâncias foram sintetizadas há décadas e explica para que doenças são indicadas:

“São medicamentos que são extensamente utilizados para a prevenção e o tratamento da malária. E, da mesma forma, sã medicamentos usados em doenças autoimunes com artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico, etc. Ou seja, são medicamentos consagrados no uso para essas indicações, para essas patologias.”

O médico explica por que a cloroquina e a hidroxicloroquina chegaram a ser apontadas, em alguns estudos, com eficazes no tratamento da Covid-19:

“Em função de que essas drogas poderiam de alguma forma inibir a replicação do vírus. Elas poderiam dificultar a adesão do vírus ao receptor desse vírus nas células humanas e, da mesma forma, poderiam inibir a replicação a replicação viral.”

No entanto, de acordo com o infectologista Marco Aurélio Safadi, os estudos clínicos realizados até agora não apontaram benefícios:

“Uma importante crítica que deve ser feita aqui é que a quase totalidade desses estudos foram feitos em pacientes hospitalizados ou em fases mais adiantadas da doença. Então, existe uma possibilidade de que, uma vez que seja usada em fases precoces, no início do quadro clínico, talvez esses pacientes possam se beneficiar desse medicamento. Mas, até o momento, todos os estudos que foram conduzidos não conseguiram demonstrar de forma inequívoca, de forma clara o benefício.”

O especialista cita o estudo publicado na revista Lancet, que levou a OMS a suspender as pesquisas:

“Um último estudo que foi publicado a semana passada no Lancet, que incluiu 90 mil indivíduos de vários locais do planeta, analisados evidentemente retrospectivamente e todos os casos hospitalizados, mas que o medicamento tinha sido introduzido nas primeiras 48 horas depois da hospitalização, não conseguiram demonstrar benefício. E, ao contrário, nesse estudo, além de não demonstrar benefício, eles viram que o grupo que usou seja cloroquina ou hidroxicloroquina associado ou não a um macrolídeo, a um antibiótico, a azitromicina, eles tiveram mais eventos adversos e tiveram menor sobrevida do que o grupo que não utilizou.”

O infectologista Marco Aurélio Safadi conta que os efeitos adversos mais relatados foram os gastrointestinais, acompanhados dos cardíacos, com menor frequência.

Ele reforça que ainda não existem dados que amparem a segurança e a eficácia da cloroquina e da hidroxicloroquina para pacientes com Covid-19.

Por isso o ideal é que, por enquanto, os dois medicamentos não sejam utilizados para tratar a infecção provocada pelo coronavírus, avalia o médico.

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