No combate à Covid-19, boletim diário e completo é regra no mundo Professora da FCM/Santa Casa é entrevistada pela Folha de S. Paulo

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Os boletins informando números de casos e óbitos pela Covid-19 no país sofreram mudanças por parte do Ministério da Saúde desde sexta-feira (5/5/2020).

A pasta passou a não divulgar mais o número consolidado de casos da doença no país e total de óbitos. Agora, são informados o total de recuperados, novos casos e óbitos nas últimas 24 horas.

A nova medida vai na contramão do que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS), afirma a epidemiologista e responsável pelo Serviço de Vigilância do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Ana Freitas Ribeiro.

Ribeiro acredita que a decisão do órgão de deixar de divulgar os dados consolidados representa um prejuízo para o país a nível internacional, uma vez que as notificações de casos e óbitos continuarão a serem feitas a nível municipal e estadual.

Para ela, preocupação é qual o motivo de excluir os dados consolidados, uma vez que esses dados ajudam na comparação e para calcular incidência de casos. “Se o governo quer mudar o horário ou a plataforma de divulgação, tudo bem, mas não divulgar o acumulado não tem sentido. Isso acarretará prejuízo. Falta transparência, temos uma caixa escura onde não podemos ver os dados.”

Outra especialista que vê com perplexidade a nova forma de divulgação é Maria Amélia Veras, epidemiologista e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Veras afirma que isso não pode ser chamado de metodologia pois não existe nenhum país no mundo que divulgue os dados dessa maneira. Ela receia que seja uma estratégia de ocultação dos dados.

“As autoridades não divulgando os casos consolidados é difícil saber o que está acontecendo. Isso não ajuda ninguém, pelo contrário.”

Ribeiro e Veras fazem parte do grupo Observatório Covid-19 BR, iniciativa independente de pesquisadores que visa a disseminação de informação qualificada sobre a doença. O painel consolida dados por estado e por município, além de apresentar cenários de evolução, índice de contágio e taxa de ocupação de leitos, entre outras.

Leia reportagem completa aqui.

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