Novo coronavírus permanece no corpo por cerca de 21 dias nos casos graves, diz estudo Professor da FCM/Santa Casa é entrevistado pela Folha de S. Paulo

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Pesquisadores chineses encontraram o vírus nas fezes de adultos com a Covid-19, indicando possibilidade de transmissão por essa via.

Pacientes que tiveram a forma mais grave da Covid-19, doença causada pelo Sars-Cov-2, permanecem com o vírus no corpo por um período mais longo do que aqueles que tiveram versões leves da infecção.

Em amostras extraídas do trato respiratório (catarro e saliva) de doentes em situação mais grave na China, o vírus foi encontrado por 21 dias, em média. Em alguns casos, esse período se estendeu a 30 dias. A duração média da presença do vírus nos pacientes sem complicações foi de 14 dias.

Os resultados vêm de um estudo publicado por cientistas chineses na terça-feira (21), na revista científica britânica The BMJ (antigamente conhecida como The British Medical Journal), uma das publicações de maior prestígio na área da saúde.

A pesquisa foi feita com mais de 3.400 amostras de secreções do trato respiratório, urina, sangue e fezes de 96 pacientes atendidos em um hospital de Zhejiang, província do leste da China. Todos os participantes do estudo tiveram a Covid-19 confirmada por testes moleculares (RT-PCR). Os cientistas classificaram 22 dos casos como moderados e 74 como graves.

A análise das amostras indicou que, nos pacientes de casos brandos da doença, o pico da carga viral acontece na segunda semana da infecção. Nos pacientes de casos mais graves, as quantidades do vírus no organismo ainda eram altas na terceira semana da doença.

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Segundo Marco Aurélio Sáfadi, infectologista da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o cenário é especialmente delicado ao lidar com crianças ou pessoas mais velhas que necessitam de troca de fraldas, por exemplo.

O artigo não fornece a certeza da transmissão pelo contato com as excreções, já que o teste molecular, feito para detectar a doença nos pacientes que participaram da pesquisa, detecta partes do vírus na pessoa, mas não diz se ele ainda está ativo para causar a infecção. Porém, o resultado do estudo indica que existe a possibilidade de transmissão por essa via, de acordo com Sáfadi.

No estudo chinês, as amostras foram recolhidas de pacientes adultos entre os meses de janeiro e março deste ano. Sáfadi conduz atualmente um estudo com crianças infectadas pelo novo coronavírus, e o vírus também foi encontrado nas amostras de fezes dos mais novos. Os resultados ainda não foram publicados.

“Não podemos assumir que há a infectividade, mas é plausível que sim. Isso traz a necessidade de maior atenção”, afirma o infectologista.

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