Remédio para azia é testado contra a Covid-19 Professora da FCM/Santa Casa é entrevistada pela Folha de S. Paulo

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Dez pacientes com Covid-19 tratados com um remédio contra azia reportaram melhora dos sintomas da doença. A série de casos em questão foi publicada nesta quinta (4) na revista Gut, periódico da British Society of Gastroenterology e publicação do grupo BMJ.

A pesquisa, ainda pequena, não indica que a droga seja eficaz contra a Covid-19.

Os cientistas selecionaram oito pessoas do estado de Nova York, uma de Nova Jersey e outra da Suécia para participar da pesquisa. Todas foram medicadas com altas doses da droga famotidina, popular nos EUA por seu preço acessível em comparação a outros medicamentos com funções semelhantes.

Entre os pacientes, sete tinham resultado positivo para Covid-19 apontado por teste PCR (considerado padrão-ouro), dois tiveram a doença confirmada por testes sorológicos e o último teve somente o diagnóstico clínico.

Segundo os pesquisadores, cerca de 48 horas após o início do uso da famotidina, todos os pacientes já relatavam melhora dos sintomas —havia grande variação do período sintomático anterior dos pacientes. Nenhum paciente foi hospitalizado.

Os próprios autores, contudo, alertam para as grandes fragilidades da pesquisa.

Ela não é um ensaio clínico duplo-cego (no qual médicos e pacientes não sabem, respectivamente, o que estão dando ou tomando), não é controlado (quando há um grupo de controle para comparação dos resultados com os provenientes de pacientes que usaram determinado medicamento) nem randomizado (quando a escolha dos pacientes que farão parte do estudo é aleatória).

Estudos que cumprem os itens acima são considerados como padrão-ouro, ou seja, a melhor evidência científica possível de ser obtida.

Sem essas condições, vieses podem interferir no resultado encontrado e, consequentemente, o estudo por apontar para respostas incorretas. Um médico, por exemplo, pode ter a impressão de que sua intervenção faz efeito, e os pacientes, por efeito placebo, podem sentir melhora em seu quadro.

Os cientistas afirmam, contudo, que “a série de casos sugere, mas não estabelece, benefício do uso de famotidina no tratamento de pacientes de Covid-19 não hospitalizados”.

A antiga droga é um antagonista do receptor H2 que inibe a secreção gástrica e é utilizada no tratamento de doença como gastrite, úlcera, esofagite, segundo Andrea Vieira, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e chefe da clínica de gastroenterologia da Santa Casa/SP, que não participou do estudo.

Veja reportagem completa aqui.

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