13/10/2020

Só se sente saudade em português? Como uma língua pode moldar as sensações Professora da FCM/Santa Casa é entrevistada pelo Portal UOL TAB

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O povo Iny (se pronuncia inã em português, conhecido também como Karajá) conta sua história com desenhos em bonecas de cerâmica. As Ritxoko trazem, em ilustrações pelo corpo e nas formas em que são esculpidas, acontecimentos importantes e ensinamentos sobre as tradições. Diz-se muito sem palavras.

Usei o termo “Ritxoko” porque quem está escrevendo esta reportagem é uma mulher. Se fosse um homem Iny, as chamaria de Ritxòò. Isso porque há um vocabulário diferente para os homens e para as mulheres do povo na língua iny rybè (se pronuncia inã rubé em português), como conta Hioló Werreria, indígena Iny e estudante de medicina na Universidade Federal do Tocantins.

“A gente aprende duas línguas: a mulher fala de um jeito bem diferente do homem, apesar de serem semelhantes. A mulher me chama de Hicoloco e o homem vai me chamar de Hioló. E cada um precisa saber falar da forma como os homens falam, e entender a forma como as mulheres falam”, relata.

A língua carrega consigo a cultura do povo, organizada em uma estrutura matriarcal, relata Werreria. Assim como vocabulários diferentes para homens e mulheres são reflexo da estrutura social dos Iny, há diferentes maneiras de se aproximar e entender tradições ao observar como o outro fala, e quais palavras ele tem para isso.

As redes cerebrais mais básicas são semelhantes em todas as culturas. Quem confirma é Carla Tieppo, neurocientista e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, além de palestrante na área e membro da Singularity University Brazil. No entanto, muito do nosso desenvolvimento e relação com o mundo vem do aprendizado de uma língua. “Nós só temos a capacidade cognitiva que temos, e só conseguimos formular hipóteses sobre a passagem do tempo, sobre a existência, apoiados nos recursos linguísticos. A linguagem proporciona ao funcionamento cerebral, à dinâmica do cérebro, os recursos semânticos que são fundamentais para que a gente aproxime conceitos”, afirma.

Leia reportagem completa.

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